sexta-feira, outubro 20, 2006
terça-feira, outubro 17, 2006
HIP HOP USA TRIBUNA DA CÂMARA DE ITAPEVI.

REGULAMENTAÇÃO JÁ !
Wilson "Mano Light" do grupo Polémicos MCs,fez uso da tribuna livre da Câmara Municipal, para cobrar a regulamentação da Lei que criou a semana Hip Hop, em Itapevi.
A Lei proposta pelo então vereador Fláudio e Lino ambos do PT, foi aprovada pela Câmara Municipal no ano de 2003, ainda no Governo de Dalvani Caramez e que conforme a Lei aprovada tinha o Executivo 60 dias para regulamentá-la, mas depois de três anos ainda não tem regulamentação, nem mesmo pela atual administração de Dra. Ruth Banholzer.
Foi realizada a 4º edição da semana Hip Hop este ano, todas com apoio da Prefeitura, mas sempre esbarrando nas dificuldades de patrocínio e apoio mais consistente do poder público.
Neste ano que o movimento despertou para a falta de regulamentação da Lei, que quase inviabilizou sua realização.
Mano Light, destacou e pediu apoio a todos os vereadores para sua regulamentação, obteve apoio incontinente de todos os vereadores, incluindo-se o Presidente da Câmara, o Vereador Teco, salientou que é necessário a Secretária de Educação e Cultura elaborar um calendário de atividades culturais, reservando o espaço legal do Hip Hop.
O happer Wilson, ainda alertou os representantes do povo de ser necessário um espaço, uma casa, para que o Hip Hop tenha como fazer seu trabalho cultural, evitando-se que a juventude da periferia seja ganha pelo crime.
Também fez seu testemunho da necessidade de ser dada oportunidade para os egressos de presídios e que já cumpriram sua pena imposta pela sociedade, caso contrário as quadrilhas de criminosos continuará tendo adeptos e quem sofrerá as conseqüências é a sociedade em especial a juventude.
Declarou da tribuna que não queria acusar ninguém mas parece que tentaram enganar o movimento com essa Lei, já que não foi regulamentada.
“Não da mais para falar sem fazer. Políticas publicas é o que a moçada propõe, é isto que o movimento tem que fazer, é exatamente isto que os lá do palácio tem que compreender”.
terça-feira, outubro 10, 2006
HOMENAGEM AO DIA DOS PROFESSORES.
Ver vendo, versando sem verso, escrevendo e se inscrevendo no HIP HOP.
Quem fala, precisa saber sobre o que fala. Há necessidade de uma definição.
A proposta do impossível: definir através de conceitos, a expressão estética de um movimento social de maioria afrodescendente. Como definir o Hip Hop?
O problema do contexto acadêmico é a produção de uma racionalidade objetiva sobre mentes subjetivas. Assim está a dificuldade em definir o movimento Hip Hop, ou as suas partes com o Rap, por exemplo. Autores optam por uma descrição histórica superficial desde uma origem em um possível e incrível lugar de Nova York. Sobre uma possível, e dificilmente explicável imigração conceitual, assim, se instala nos bairros de população pobre das cidades brasileiras.
Pensando e repensando Hip Hop procuro vê-lo sob a ótica das africanidades e afrodecendências, como a síntese radical de uma expressão cultural, produto de base africana, com a situação atual dos afrodescendentes, no meio urbano das sociedades industriais. Consumo, opressão produção e momória cultural se fundem e refundem. Emerge o material conceitual de uma nova onda cultural de matriz africana. São territórios de maioria afrodescendentes construído nas mesmas bases e produzidos sobre contextos semelhantes dando os mesmos textos, diferente porem emergentes das mesmas expressões, resultados das mesmas situações. Homens brancos tomaram o poder, asfixiaram o mundo, mas a inteligência sobrevive, o Hip Hop respira sobre as estreitas passagens ar da cultura de base africana. Rítmica, cúbica, estética, teatral, dançada e coletiva.
Neste tortuoso caminho Hip Hop é como o imaginário social. Menifesta-se na produção da música, dança, poesia e política articulando os elementos significantes da matriz africana, do mundo urbano e da história dos afrodescendentes.
O Hip Hop é uma produção engajada. Traduz o intelectual orgânico de Gramsci. São orgânicos pensadores sociais, pensando individual e coletivamente, o projeto político de um povo com uma história de escravismo, produção capitalista racista. Vendo o espeço e o povo, repressão social, depressão, apertados em espaços confinados, de pobreza e fraca representação política.
Talvez para o Hip Hop, a principal contradição do sistema seja a relação espacial com a inclusão precária na representação social-econômica e cultural. Pode ser que em certo sentido, o Hip Hop como movimento social de maioria afrodescentes, portanto,parte do movimento negro, superou as pautas de alguns setores dos movimentos negros quanto à necessidade de denúncia ao racismo, e fez nova analise propositivista do real.
O Hip Hop é inovador, não apenas nas propostas de manifestação política, mas, sobretudo na estética dessa manifestação política.
Se voltarmos aos movimentos negros dos anos 70, eles somavam arte e política, teatro e dança, numa proposta de consciência negra. Os grupos de militantes faziam diversas formas de práticas de cultura. Tensão se transformou entre grupos que procuravam uma expressão política discursiva, que não tivesse dança ou teatro, que organizasse como os manda o figurino europeu, no estilo do partido, a parte do nosso forma de politizar o espaço político. O mais significativo dessas expressões de dança, teatro, música e consciência política foi a fundação do Ilê Aiyê, em 1974, em Salvador e do Grupo Evolução de 1972 em Campinas. A principal expressão do político a “seco”, foi a fundação do Movimento Unificado Contra Discriminação Racial, em 1978, o que depois originou o MNU, em 1979. Nos impasses do movimento negro, as representações sociais acadêmicas deste, ou seja, parte das pesquisas universitárias, classifica os movimentos de culturalistas da rapeize engajada, Hasembalg fala dito.
Mas havia outras utopias dos movimentos negros dos anos de 1970, uma delas era o engajamento de massas populares. Essa não saiu da utopia. De um modo geral, utopia de engajamento de grandes massas populares, dos negros dos bairros, dos trabalhadores não se realizou nos anos 70. Hoje, o Hip Hop, como um dos setores deste diverso e complexo movimento social de maioria afrodescendete, realizou a utopia de acesso e diálogo com as grandes massas populares dos bairros, dos grupos de trabalhadores e desempregados,
Restando a realizar ainda, pra todo o conjunto das diversas versões de movimentos de maioria afrodescendente. O Hip Hop talvez tenha dado o modelo o caminho desta consciência prepositiva, questionadora, e analítica da grande política, sem deixar a expressão própria afrodescendente urbana de bairro de faze-la. Não da mais para falar sem fazer. Políticas publicas é o que a moçada propõe, é isto que o movimento tem que fazer, é exatamente isto que os lá do palácio tem que compreender.
Ainda na definição, uma averiguação, lembrando de Porto Alegre daquele Rap da restiga, lembra do Jose Antonio Santos, quando este fala das falas dos antigos, falando de Intelectuais Operários Negros. A deixa dele serve para compor a compreensão do Hip Hop.
No mínimo das africanidades. Imagine nelas o deslocamento do sentimento, do olhar e da subordinação ao pensamento eurocêntrico.
As expressões identitárias: o corpo sente, pensa e expressa.
O Hip Hop expressa uma identidade afrodescendente sem falar de negro e de raça.
A reunião imaginária coletiva de uma nacionalidade transcontinental. Vendo o trabalho de Thebeyne sobre ritmos jamaicanos e sobre a expansão e identidade internacional de afrodescendentes através do reage, temos a impressão que a idéia de nacionalidade transcontinental é apropriada também para o Hip Hop. No entanto, o Hip Hop traz outras novidades na apropriação conceitual de localidade, de apego ao bairro ou centro do seu mundo de vivência. O Hip Hop é a voz sonante, dissonante, consciência das periferias urbanas.
Traduz o tijolo aparente, das casas desconcertantes, sem revestimento, o mapa sem mapa do crescimento não mapeado, muito menos saneado, apenas explorado pela especulação, desorganização desorganizada pela ausência do estado, da falta de políticas publicas que tornar estéril o espaço sem arvore e sem lazer, que sem ar, sem o básico do básico, sem presságios de melhoria do estado geral. Violência da violência, do estado em falta de vergonha do estado em que vivemos.
Hip Hop a estética da negritude. A sistemática cantada, cantado, representado, persistente, insistente. O Brasil deles tem horror as inteligências negras. Pensam e transformam as negras inteligências em produtos do nada, do anônimo, do inexistente. Algumas inteligências negras transbordam, superam a censura, excedem o controle, estão deixam de serem negras. Como a estética é um demarcado importante da inteligência coletiva, o Brasil deles sempre insistiu em inviabilizar as expressões de estéticas negras. O Hip Hop expressa, cria e procria essa estética. Olhar Hip Hop tem em conta, se da conta da existência do obvio, do negro, ser pensante, inteligente, marcante e irreverente. Expressa, apresenta, se representa nessa estética, numa estratégia de não precisar falar negro, pois a representação já nos anuncia e referência.
Práticas educativas de uso do Hip Hop.
Coisa é coisa e professora não é coisa, embora alguns insistam em chamá-la de dona coisinha. Professor não é eletrodoméstico, mas é bom que esteja ligado. Professora não é parte da internet, mas funciona conectada. Ligado e conectado no fluxo cultural intelectual, interativo local. A posse produz uma cultura de rua, que a rua não produziu a si própria.
Aí, sobra para a escola. Professora não é tia, apesar de muitos terem encarado como tal, ocasionando em muitos casos, a perda da identidade da professora que transformada em tia, passa a querer tomar conta do moleque. Moleque é tu. Aqui não tem mole, muito menos moleque.
Aluno e professor, duas linguagens, uma síntese, a boa aula, a aula interessante e instrutiva. E por que não a partir das práticas cotidianas do Hip Hop, que são práticas cotidianas da realidade do aluno, o bairro, local, a realidade, cuja reflexão em sala de aula pode avançar além da informação, da rua, para as formações formadoras do conhecimento amplo.
Hip Hop é uma posse de conhecimento operando com elementos da matriz africana, nos territórios urbanos de maioria afrodescendentes.
Professora enxerga o Hip Hop em ação. Vê a existência do corpo em movimento, de mentes em profusão de linguagens. Críticas de um formal, real, mortal, que a escola pode transformar do ser real em real educação. Se a professora lê o texto e contexto do Hip Hop massa geral. Não dá apenas pão e bolo, mas reanimação da escola, que não é seminário e nem prisão, mas tem grades as pampas, e as mesmas reações, periga até repressão.
Se ler o texto e o contexto e decifra a situação sabe que o contexto é histórico, da eliminação de racismo e negra negação.
Se a professora lê o texto e o contexto, sem abreviação, se põe na interpretação, põe o Hip Hop na composição. Sabe da junção de elementos clássicos desse contexto alheio à educação. Daí, sempre aí, penso nesse aí, vai ao centro nervoso e duvidoso de invibilização, de ausência de reflexão, da crise de interpretação. Compreenda que o Hip Hop é a transformação da sala de aula no centro de percepção, dos sentidos que dão sentido a motivação. Se não parar e pensar com sede, senso, sentido e preparação, a execução, a motivação, estão nos voltaremos a repetir a lição. Tem que ler, ver e compreender mais Hip Hop até conceber a transformação, daquelas ações cotidianas num mar de transformações. Se não ler, não escrever, não selecionar, não relacionar e não lecionar, não percebeu e nós vamos dizer à professora que não estava ligada e não fez a lição de casa.
Que Chato! A professora não fez a lição de casa. Deixou crianças negras e pobres cheias de desejo de aprender e transformar a nação em crianças negras e pobres agora de aprendizado e transformação. O real mudou, o Hip Hop criticou, o real não muda a sala de aula que fica repetindo a pobreza e a indiferença dos contextos sem textos de invisibilidade e exclusão.
Manter a tensão e atenção. Aí, o texto, a composição a expressão, a forma, a estética, o contexto da produção, o contexto da vida do autor, a comparação entre textos e autores fazem as aulas terem sentido e emoção. Aprender com Rap, fazer, Rap. Com grafismo, fazer grafismo, de dançar fazendo dança, a música musicando quando quanto estudo em casa na preparação, quanta coisas novas vamos ter que tornar a estudar e transformar. Esta aí o plano de aula do Hip Hop.
>Voltamos à Vaca fria.
Etnia, etnicidade, identidade, identificação, raça social expressão de questão racial.
Quando todos estavam esperando que bifes estivessem assadinhos, alguém avisou que o banquete foi suspenso, a carne ainda está no congelador, a vaca está fria. Passinho para frente, passinho para traz, canseira e soiera, mana e mano. Mas fazer o que o cara esta nessa. Não gostaria de ficar voltando a questão, mas pela repetição, em certas horas, o debate parece inútil, pois nenhum fato novo conceitual ou providencial empírico ou paradgmático se anuncia. E ficamos na repetição, etnia ou racialização. Mas a questão segue. Boas ou ruins seriam, as abordagens de etnia ou raça, para pensar o Hip Hop? O diz que diz é inútil. Trata-se por vezes de uma guerra de nomes, de ficar parado no nome e esquecer o sentido do nome. Não é porque fala no racial que uma medida se anuncia. Pode falar do racial ficando no limite do superficial, é providencial para o sistema de controle do social fazer presente apenas pela citação do racial, sem aprofundar como funciona o capital.
A história da etnia explica isto? Se não explica, também não serve, fica no aparente lateral.
Serve, se contém historia, cultura e política na vetical e na horizontal, na paralela e na diametral. Mas senão tem não serve. A História da raça social explica isto, ela também não serve. Ma a históra não explica isto, não serve. A história é longa, precisamos de casa, lazer, escola, trabalho, saúde e respeito, agora. Que não há lugar para preto nesta história, não é de agora. Mas podem deixar um lugar para preto quase igual ao de agora, somente falante da questão racial? Interroga sobre o quê? Perguntar para quem quais questões e quais soluções? Do jeito que está, nenhuma, apenas espelho que tem imagem, mas não diz nada, apenas reflete uma visão parcial do negro na real. Quem fal da questão racial, fala do espelho.
O problema é a situação do negro na real. Não como minoria, não no seu geral universal. No lugar onde está cada negro, como vive e porque vive, ficando aí, como está e porque nenhuma destas coisas faz a vida de cada um de nós melhorar. O que não muda é a cultura do branco de dominar e fazer do preto um diferente do similar. Agora, o Hip Hop é cultura por que é negra, se tem até branco criando? Digo que é negra, pois tem raízes, faz parte de um matriz cultural africana, que a raça não explica, apenas rabisca. Tudo tem ambigüidades que o corpo negro explica, tudo tem etnicidades, não apenas o corpo justifica.
O horizonte deflagra a onda de bens materiais e culturais sociais que a história explica e a raça negra ratifica. Um negro rico continua sendo negro, mas não porque é negro em si, mas porque a cultura do racismo designou como tal e conserva como tal. Não é isto que a cor da pele explica, mas somente a história de um longo processo de dominação que somatizou como realidade. A verdade é racional, não existiria o capital tal como este sem o africano, o escravismo criminoso, de coisas de racismo institucional.
Difícil é aprofundar e dar conteúdos de formação nacional para explicar o histórico e dar solução à composição que não pára de tocar no repetido CD da vida da população negra. Ir além das constatações, e produzir pensamento suficiente para mudar o que está sendo repetido, repetido, repetido sem alteração. Se você pensa que apenas a cor explica alguma coisa, então explique porque a biblioteca de sua escola está vazia de conteúdos sobre a matriz africana, sobre a realidade cotidiana de negros e negras da população. A explicação exige um exercício além da cor da pele de fundo conceitual. Para mim, e não me importa se não concordam comigo, eu respeito, só peço que pensem e expliquem o social econômico, o cotidiano do engano, o problema não racial. Raça não existe, mas o problemas é de dominação, é das tentativas de eliminação de subordinação das africanidades e afrodescendências brasileira, destes e de outros no mundo. Complicou? Complicou, pois só o marxismo também não explica, não exemplifica, precisa ir adiante, não só trabalho e capital a seco. Tem gênero, e etnia, tem localidade e ancestralidade nesta imensa composição
Se o notório não percebeu terminei.
Tratamos aqui de uma crítica às relações étnicas da educação. Que a invisibilidade dos negros e das negras produz um processo de alienação, de dominação. Nisto, a escola faz parte do ficar. Como no namoro, ficar não resolve nada e por vezes, só complica. Depois de um tempo ficando, não mudar de troca de ficar e nem nada acrescenta alguma coisa de sólido e palpável para o futuro. Dizemos que o Hip Hop faz um portesto sobre a educação, sobre a expressão cultural “de ficar”. E dizemos que o Hip Hop pode ser uma solução, usado para a educação deixar de “do ficar”, sem atuação de continuação, da vida do aprendizado da cultura escolar descolada da cultura da realidade de transformação. Mas também contornamos as possibilidades de outra aproximação, que atraia e produza a tentação de aprender coisas novas. A construção cultural dos sujeitos se faz pela reflexão aprofundada de sua realidade. Este é um dos papéis da escola e o Hip Hop um meio, preâmbulo para uma nova filosofia da educação e território da maioria afrodescendentes. Se o otário pensa que terminou, não entendeu, pois ainda nem começou. Precisa trabalhar muito este início: lição de casa. Lição de casa. Professora não é mané, mas, às vezes, dá um de, para ficar vivendo boazinha sem confusão. Confundindo confusão de insatifação com confusão de organização. Na moçada não é desorganizada é insatisfeita. E a professora fica de coisinha de transmissão de coisinhas que não servem não. Precisamos dela uma profunda reflexão, mesmo que comportada insubordinação, descobrir que existem negros e negras e que precisam na escola, entender da nossa vida, da nossa cultura e dos nossos sonhos de transformação.
Hip Hop na escola não é brincadeira, não. Exige reflexão e deve ter produção, ação, sobretudo, uma proposta de intervenção e modificação das posturas. Hip Hop na escola, o início de tudo que se falou e não se fez. Trabalhar com a realidade do aluno, fazer transformação, formar sujeitos críticos, pensando como cidadão. Até o refrão da composição, uma conformação não apenas para ser contada, nem apenas cantada, ms praticada.
Agora, se tem alguma coisa que o notório não entendeu, não dê uma de mané. Vá pesquisar com seu aluno que ele dá toda a explicação. Têm sempre alguma coisa a se aprender, outras tantas se ensinam, muitas outras para realizar...Mapeou o território, chegou na posse?
Senão fica perdidão, mas sempre pode pedir para a aluna a explicação. Sem desafinar, mas sem rimar há os que dizem: Educação, dever do estado, direito do cidadão.
COPILADO de texto UNIBAN – Prof. Lucimar Gonçalves Manaro.>
Quem fala, precisa saber sobre o que fala. Há necessidade de uma definição.
A proposta do impossível: definir através de conceitos, a expressão estética de um movimento social de maioria afrodescendente. Como definir o Hip Hop?
O problema do contexto acadêmico é a produção de uma racionalidade objetiva sobre mentes subjetivas. Assim está a dificuldade em definir o movimento Hip Hop, ou as suas partes com o Rap, por exemplo. Autores optam por uma descrição histórica superficial desde uma origem em um possível e incrível lugar de Nova York. Sobre uma possível, e dificilmente explicável imigração conceitual, assim, se instala nos bairros de população pobre das cidades brasileiras.
Pensando e repensando Hip Hop procuro vê-lo sob a ótica das africanidades e afrodecendências, como a síntese radical de uma expressão cultural, produto de base africana, com a situação atual dos afrodescendentes, no meio urbano das sociedades industriais. Consumo, opressão produção e momória cultural se fundem e refundem. Emerge o material conceitual de uma nova onda cultural de matriz africana. São territórios de maioria afrodescendentes construído nas mesmas bases e produzidos sobre contextos semelhantes dando os mesmos textos, diferente porem emergentes das mesmas expressões, resultados das mesmas situações. Homens brancos tomaram o poder, asfixiaram o mundo, mas a inteligência sobrevive, o Hip Hop respira sobre as estreitas passagens ar da cultura de base africana. Rítmica, cúbica, estética, teatral, dançada e coletiva.
Neste tortuoso caminho Hip Hop é como o imaginário social. Menifesta-se na produção da música, dança, poesia e política articulando os elementos significantes da matriz africana, do mundo urbano e da história dos afrodescendentes.
O Hip Hop é uma produção engajada. Traduz o intelectual orgânico de Gramsci. São orgânicos pensadores sociais, pensando individual e coletivamente, o projeto político de um povo com uma história de escravismo, produção capitalista racista. Vendo o espeço e o povo, repressão social, depressão, apertados em espaços confinados, de pobreza e fraca representação política.
Talvez para o Hip Hop, a principal contradição do sistema seja a relação espacial com a inclusão precária na representação social-econômica e cultural. Pode ser que em certo sentido, o Hip Hop como movimento social de maioria afrodescentes, portanto,parte do movimento negro, superou as pautas de alguns setores dos movimentos negros quanto à necessidade de denúncia ao racismo, e fez nova analise propositivista do real.
O Hip Hop é inovador, não apenas nas propostas de manifestação política, mas, sobretudo na estética dessa manifestação política.
Se voltarmos aos movimentos negros dos anos 70, eles somavam arte e política, teatro e dança, numa proposta de consciência negra. Os grupos de militantes faziam diversas formas de práticas de cultura. Tensão se transformou entre grupos que procuravam uma expressão política discursiva, que não tivesse dança ou teatro, que organizasse como os manda o figurino europeu, no estilo do partido, a parte do nosso forma de politizar o espaço político. O mais significativo dessas expressões de dança, teatro, música e consciência política foi a fundação do Ilê Aiyê, em 1974, em Salvador e do Grupo Evolução de 1972 em Campinas. A principal expressão do político a “seco”, foi a fundação do Movimento Unificado Contra Discriminação Racial, em 1978, o que depois originou o MNU, em 1979. Nos impasses do movimento negro, as representações sociais acadêmicas deste, ou seja, parte das pesquisas universitárias, classifica os movimentos de culturalistas da rapeize engajada, Hasembalg fala dito.
Mas havia outras utopias dos movimentos negros dos anos de 1970, uma delas era o engajamento de massas populares. Essa não saiu da utopia. De um modo geral, utopia de engajamento de grandes massas populares, dos negros dos bairros, dos trabalhadores não se realizou nos anos 70. Hoje, o Hip Hop, como um dos setores deste diverso e complexo movimento social de maioria afrodescendete, realizou a utopia de acesso e diálogo com as grandes massas populares dos bairros, dos grupos de trabalhadores e desempregados,
Restando a realizar ainda, pra todo o conjunto das diversas versões de movimentos de maioria afrodescendente. O Hip Hop talvez tenha dado o modelo o caminho desta consciência prepositiva, questionadora, e analítica da grande política, sem deixar a expressão própria afrodescendente urbana de bairro de faze-la. Não da mais para falar sem fazer. Políticas publicas é o que a moçada propõe, é isto que o movimento tem que fazer, é exatamente isto que os lá do palácio tem que compreender.
Ainda na definição, uma averiguação, lembrando de Porto Alegre daquele Rap da restiga, lembra do Jose Antonio Santos, quando este fala das falas dos antigos, falando de Intelectuais Operários Negros. A deixa dele serve para compor a compreensão do Hip Hop.
No mínimo das africanidades. Imagine nelas o deslocamento do sentimento, do olhar e da subordinação ao pensamento eurocêntrico.
As expressões identitárias: o corpo sente, pensa e expressa.
O Hip Hop expressa uma identidade afrodescendente sem falar de negro e de raça.
A reunião imaginária coletiva de uma nacionalidade transcontinental. Vendo o trabalho de Thebeyne sobre ritmos jamaicanos e sobre a expansão e identidade internacional de afrodescendentes através do reage, temos a impressão que a idéia de nacionalidade transcontinental é apropriada também para o Hip Hop. No entanto, o Hip Hop traz outras novidades na apropriação conceitual de localidade, de apego ao bairro ou centro do seu mundo de vivência. O Hip Hop é a voz sonante, dissonante, consciência das periferias urbanas.
Traduz o tijolo aparente, das casas desconcertantes, sem revestimento, o mapa sem mapa do crescimento não mapeado, muito menos saneado, apenas explorado pela especulação, desorganização desorganizada pela ausência do estado, da falta de políticas publicas que tornar estéril o espaço sem arvore e sem lazer, que sem ar, sem o básico do básico, sem presságios de melhoria do estado geral. Violência da violência, do estado em falta de vergonha do estado em que vivemos.
Hip Hop a estética da negritude. A sistemática cantada, cantado, representado, persistente, insistente. O Brasil deles tem horror as inteligências negras. Pensam e transformam as negras inteligências em produtos do nada, do anônimo, do inexistente. Algumas inteligências negras transbordam, superam a censura, excedem o controle, estão deixam de serem negras. Como a estética é um demarcado importante da inteligência coletiva, o Brasil deles sempre insistiu em inviabilizar as expressões de estéticas negras. O Hip Hop expressa, cria e procria essa estética. Olhar Hip Hop tem em conta, se da conta da existência do obvio, do negro, ser pensante, inteligente, marcante e irreverente. Expressa, apresenta, se representa nessa estética, numa estratégia de não precisar falar negro, pois a representação já nos anuncia e referência.
Práticas educativas de uso do Hip Hop.
Coisa é coisa e professora não é coisa, embora alguns insistam em chamá-la de dona coisinha. Professor não é eletrodoméstico, mas é bom que esteja ligado. Professora não é parte da internet, mas funciona conectada. Ligado e conectado no fluxo cultural intelectual, interativo local. A posse produz uma cultura de rua, que a rua não produziu a si própria.
Aí, sobra para a escola. Professora não é tia, apesar de muitos terem encarado como tal, ocasionando em muitos casos, a perda da identidade da professora que transformada em tia, passa a querer tomar conta do moleque. Moleque é tu. Aqui não tem mole, muito menos moleque.
Aluno e professor, duas linguagens, uma síntese, a boa aula, a aula interessante e instrutiva. E por que não a partir das práticas cotidianas do Hip Hop, que são práticas cotidianas da realidade do aluno, o bairro, local, a realidade, cuja reflexão em sala de aula pode avançar além da informação, da rua, para as formações formadoras do conhecimento amplo.
Hip Hop é uma posse de conhecimento operando com elementos da matriz africana, nos territórios urbanos de maioria afrodescendentes.
Professora enxerga o Hip Hop em ação. Vê a existência do corpo em movimento, de mentes em profusão de linguagens. Críticas de um formal, real, mortal, que a escola pode transformar do ser real em real educação. Se a professora lê o texto e contexto do Hip Hop massa geral. Não dá apenas pão e bolo, mas reanimação da escola, que não é seminário e nem prisão, mas tem grades as pampas, e as mesmas reações, periga até repressão.
Se ler o texto e o contexto e decifra a situação sabe que o contexto é histórico, da eliminação de racismo e negra negação.
Se a professora lê o texto e o contexto, sem abreviação, se põe na interpretação, põe o Hip Hop na composição. Sabe da junção de elementos clássicos desse contexto alheio à educação. Daí, sempre aí, penso nesse aí, vai ao centro nervoso e duvidoso de invibilização, de ausência de reflexão, da crise de interpretação. Compreenda que o Hip Hop é a transformação da sala de aula no centro de percepção, dos sentidos que dão sentido a motivação. Se não parar e pensar com sede, senso, sentido e preparação, a execução, a motivação, estão nos voltaremos a repetir a lição. Tem que ler, ver e compreender mais Hip Hop até conceber a transformação, daquelas ações cotidianas num mar de transformações. Se não ler, não escrever, não selecionar, não relacionar e não lecionar, não percebeu e nós vamos dizer à professora que não estava ligada e não fez a lição de casa.
Que Chato! A professora não fez a lição de casa. Deixou crianças negras e pobres cheias de desejo de aprender e transformar a nação em crianças negras e pobres agora de aprendizado e transformação. O real mudou, o Hip Hop criticou, o real não muda a sala de aula que fica repetindo a pobreza e a indiferença dos contextos sem textos de invisibilidade e exclusão.
Manter a tensão e atenção. Aí, o texto, a composição a expressão, a forma, a estética, o contexto da produção, o contexto da vida do autor, a comparação entre textos e autores fazem as aulas terem sentido e emoção. Aprender com Rap, fazer, Rap. Com grafismo, fazer grafismo, de dançar fazendo dança, a música musicando quando quanto estudo em casa na preparação, quanta coisas novas vamos ter que tornar a estudar e transformar. Esta aí o plano de aula do Hip Hop.
>Voltamos à Vaca fria.
Etnia, etnicidade, identidade, identificação, raça social expressão de questão racial.
Quando todos estavam esperando que bifes estivessem assadinhos, alguém avisou que o banquete foi suspenso, a carne ainda está no congelador, a vaca está fria. Passinho para frente, passinho para traz, canseira e soiera, mana e mano. Mas fazer o que o cara esta nessa. Não gostaria de ficar voltando a questão, mas pela repetição, em certas horas, o debate parece inútil, pois nenhum fato novo conceitual ou providencial empírico ou paradgmático se anuncia. E ficamos na repetição, etnia ou racialização. Mas a questão segue. Boas ou ruins seriam, as abordagens de etnia ou raça, para pensar o Hip Hop? O diz que diz é inútil. Trata-se por vezes de uma guerra de nomes, de ficar parado no nome e esquecer o sentido do nome. Não é porque fala no racial que uma medida se anuncia. Pode falar do racial ficando no limite do superficial, é providencial para o sistema de controle do social fazer presente apenas pela citação do racial, sem aprofundar como funciona o capital.
A história da etnia explica isto? Se não explica, também não serve, fica no aparente lateral.
Serve, se contém historia, cultura e política na vetical e na horizontal, na paralela e na diametral. Mas senão tem não serve. A História da raça social explica isto, ela também não serve. Ma a históra não explica isto, não serve. A história é longa, precisamos de casa, lazer, escola, trabalho, saúde e respeito, agora. Que não há lugar para preto nesta história, não é de agora. Mas podem deixar um lugar para preto quase igual ao de agora, somente falante da questão racial? Interroga sobre o quê? Perguntar para quem quais questões e quais soluções? Do jeito que está, nenhuma, apenas espelho que tem imagem, mas não diz nada, apenas reflete uma visão parcial do negro na real. Quem fal da questão racial, fala do espelho.
O problema é a situação do negro na real. Não como minoria, não no seu geral universal. No lugar onde está cada negro, como vive e porque vive, ficando aí, como está e porque nenhuma destas coisas faz a vida de cada um de nós melhorar. O que não muda é a cultura do branco de dominar e fazer do preto um diferente do similar. Agora, o Hip Hop é cultura por que é negra, se tem até branco criando? Digo que é negra, pois tem raízes, faz parte de um matriz cultural africana, que a raça não explica, apenas rabisca. Tudo tem ambigüidades que o corpo negro explica, tudo tem etnicidades, não apenas o corpo justifica.
O horizonte deflagra a onda de bens materiais e culturais sociais que a história explica e a raça negra ratifica. Um negro rico continua sendo negro, mas não porque é negro em si, mas porque a cultura do racismo designou como tal e conserva como tal. Não é isto que a cor da pele explica, mas somente a história de um longo processo de dominação que somatizou como realidade. A verdade é racional, não existiria o capital tal como este sem o africano, o escravismo criminoso, de coisas de racismo institucional.
Difícil é aprofundar e dar conteúdos de formação nacional para explicar o histórico e dar solução à composição que não pára de tocar no repetido CD da vida da população negra. Ir além das constatações, e produzir pensamento suficiente para mudar o que está sendo repetido, repetido, repetido sem alteração. Se você pensa que apenas a cor explica alguma coisa, então explique porque a biblioteca de sua escola está vazia de conteúdos sobre a matriz africana, sobre a realidade cotidiana de negros e negras da população. A explicação exige um exercício além da cor da pele de fundo conceitual. Para mim, e não me importa se não concordam comigo, eu respeito, só peço que pensem e expliquem o social econômico, o cotidiano do engano, o problema não racial. Raça não existe, mas o problemas é de dominação, é das tentativas de eliminação de subordinação das africanidades e afrodescendências brasileira, destes e de outros no mundo. Complicou? Complicou, pois só o marxismo também não explica, não exemplifica, precisa ir adiante, não só trabalho e capital a seco. Tem gênero, e etnia, tem localidade e ancestralidade nesta imensa composição
Se o notório não percebeu terminei.
Tratamos aqui de uma crítica às relações étnicas da educação. Que a invisibilidade dos negros e das negras produz um processo de alienação, de dominação. Nisto, a escola faz parte do ficar. Como no namoro, ficar não resolve nada e por vezes, só complica. Depois de um tempo ficando, não mudar de troca de ficar e nem nada acrescenta alguma coisa de sólido e palpável para o futuro. Dizemos que o Hip Hop faz um portesto sobre a educação, sobre a expressão cultural “de ficar”. E dizemos que o Hip Hop pode ser uma solução, usado para a educação deixar de “do ficar”, sem atuação de continuação, da vida do aprendizado da cultura escolar descolada da cultura da realidade de transformação. Mas também contornamos as possibilidades de outra aproximação, que atraia e produza a tentação de aprender coisas novas. A construção cultural dos sujeitos se faz pela reflexão aprofundada de sua realidade. Este é um dos papéis da escola e o Hip Hop um meio, preâmbulo para uma nova filosofia da educação e território da maioria afrodescendentes. Se o otário pensa que terminou, não entendeu, pois ainda nem começou. Precisa trabalhar muito este início: lição de casa. Lição de casa. Professora não é mané, mas, às vezes, dá um de, para ficar vivendo boazinha sem confusão. Confundindo confusão de insatifação com confusão de organização. Na moçada não é desorganizada é insatisfeita. E a professora fica de coisinha de transmissão de coisinhas que não servem não. Precisamos dela uma profunda reflexão, mesmo que comportada insubordinação, descobrir que existem negros e negras e que precisam na escola, entender da nossa vida, da nossa cultura e dos nossos sonhos de transformação.
Hip Hop na escola não é brincadeira, não. Exige reflexão e deve ter produção, ação, sobretudo, uma proposta de intervenção e modificação das posturas. Hip Hop na escola, o início de tudo que se falou e não se fez. Trabalhar com a realidade do aluno, fazer transformação, formar sujeitos críticos, pensando como cidadão. Até o refrão da composição, uma conformação não apenas para ser contada, nem apenas cantada, ms praticada.
Agora, se tem alguma coisa que o notório não entendeu, não dê uma de mané. Vá pesquisar com seu aluno que ele dá toda a explicação. Têm sempre alguma coisa a se aprender, outras tantas se ensinam, muitas outras para realizar...Mapeou o território, chegou na posse?
Senão fica perdidão, mas sempre pode pedir para a aluna a explicação. Sem desafinar, mas sem rimar há os que dizem: Educação, dever do estado, direito do cidadão.
COPILADO de texto UNIBAN – Prof. Lucimar Gonçalves Manaro.>
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